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Cañon del Colca: das loucuras/cagadas que fazemos na vida

Cañon del Colca: das loucuras/cagadas que fazemos na vida

Arequipa, Histórias de viagem, Peru

Cheguei em Arequipa com uma ideia fixa na cabeça: fazer o trekking de dois dias e uma noite no Cañon del Colca. Pesquisei agências e percebi que é tudo a mesma coisa, independente do preço que você paga o serviço é o mesmo: guia, café da manhã nos dois dias, almoço e janta no primeiro dia. É tão o mesmo serviço que usam até a mesma apresentação de powerpoint.

125 soles mais pobre e resolvi ir. Não parecia tão complicado, afinal 18 km em um dia não é dos piores pesadelos e o segundo dia era menos tempo, mas subida. Não me assustou, bora lá.

A van nos pega no hostel entre 3 e 3:30 am. Uma pseudo dormida até as 6 enquanto o motorista fazia ultrapassagens loucas de faróis apagados em locais não permitidos. E andava a 80 km/h num máximo de 35… Cheguei viva, mas foi meio apavorante.

O café da manhã em Chivay é bem decente, com aquelas coisas que você já vai estar de saco cheio de comer todos os dias no café da manhã no Peru. Geleia de morango é algo que me dá agonia já.

O primeiro ponto do tour é o Mirador Cruz de los Condores, onde ficamos uma hora observando os bichões, de envergadura absurda, lá, voando e parecendo se exibir pros turistas. Vimos vááários. São lindos mesmo.

Depois disso começa o trekking. O primeiro trecho são 7 km de descida. Não cansa, mas é foda porque é um terreno arenoso, você escorrega fácil, força os joelhos. Acho que nessa parte que me perdi, tentei ir rápido pra alcançar os franceses anti sociais que não paravam de falar um instante, e forcei demais. Os 7km foram feitos em umas duas horas e meia.

Chegamos a uma ponte e descansamos um pouco. Depois desse ponto foi mais uma meia hora de caminhada (entre subidas e descidas) até o local onde almoçamos. A comida é caseira, feita num fogão a lenha. Simples mas deliciosa.

Uns 40 minutos de descanso pós comida e começa a tortura. Meu joelho dá o ar da graça e resolve ser o personagem principal dos próximos 10 km. Entre subidas e descidas minha ‘rodilla derecha’ estava lá, latejando, reclamando do esforço excessivo.

Eu podia falar muito do quanto o caminho é lindo, de como o cânion é enorme e imponente. Mas eu só lembro de dor e eu quase arregando. O Felipe foi um anjo que me deu maior força pra continuar. Sozinha eu teria desistido.

4 da tarde chegamos ao Cielo. Certamente chegamos. Os bangalôs ‘Cielo Azul’ no meio do oásis foram literalmente o oásis no deserto. É muito clichê pra pouca história, mas eu estava desesperada de dor. Um quarto matrimonial muito ajeitado (e romântico, a luz de velas) e um banho quente melhoraram minha tarde. Agora eu podia sentir dor limpa e deitada, rs. Um descanso merecido pras pernas.

Durante a janta, já sabendo da minha condição meio precária, combinei com o guia de sair mais cedo que o grupo, para ganhar um fôlego pro joelho. Ele também me prometeu um bastão de caminhada.

Acorde 15 pras 4 e fiquei esperando no escuro e no frio até as 5 e acabamos saindo com o grupo porque o maldito do guia perdeu a hora. Já fiquei tensa. E os bastões? Tô esperando até agora…

Meia hora de subida eu já tava desistindo. Mas não queria desistir porque se não subisse por bem a única forma de subir era em mulas. E eu lembro muito bem de como isso é perigoso.

Uma hora depois eu estava em desespero: o joelho ardia e a cabeça fundia em pensar em subir nos bichinhos.

Mais uma hora (com direito a muito choro nesse período) e eu não conseguia mais. Faltava mais uma hora de subida e a cada degrau eu sentia que o joelho tava no calor do inferno. Desisti e pedi uma carona numa mula.


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Uma hora mais de choro. Medo e dor num mix terrível. Eu com dó do bichinho e com pavor de descermos rolando juntos o precipício. E sério, a mula escorregava nas pedras e eu achava que ia morrer a cada curva.

Cheguei no topo e ainda tive que ver os franceses rindo da minha cara. Pra colocar a cereja no bolo….

A pior parte tinha passado, mas acabei não curtindo o resto do dia. O muleiro me extorquiu 30 soles pela meia subida (que inteira custa 10…) e eu tava muito podre.

O resto do dia foi o café da manhã e depois disso fiquei esperando uma hora o motorista louco da van chegar pra nos buscar. Paramos em um mirador pra ver o Valle del Colca e o comecinho da cãnion. Vista linda!

Paramos em Maca, um vilarejo onde tem uma feirinha de tudo um pouco: você pode tomar um colca sour enquanto tira foto com um gavião treinado na sua cabeça.

A próxima parada foi nos banhos termais, onde teria que desembolsar mais 15 soles. Desisti e fiquei papeando com um americano e duas holandesas enquanto o resto do povo ia lá virar sopa.

O almoço, que não está incluso, custa 28 soles no esquema buffet livre, um absurdo de preço pro Peru. Acabamos buscando um choripan na Plaza de Armas por um terço do preço (e ainda foi caro).

A volta tem umas paradas que seriam lindas na ida, mas na volta tava todo mundo morto e mal tirava foto. Miradores dos vulcões, parque nacional com fauna invejável e paisagens de cinema, e todo mundo lá, mortinho.

Desanimei geral né?

Deixa eu tentar consertar…

Eu avaliei muito mal a minha situação física, eu tava meio gripada e isso atrapalhou muito. O joelho não dava pra avaliar que ia me dar trabalho, mas juntou tudo e se tornou uma experiência bem ruim.

Então minha dica pra quem quer ir é na dúvida/doença não faça. É um trekking de dificuldade moderada, não é extremamente difícil, mas as subidas e descidas são em terra fofa com muita pedras, isso mais a altitude pode ser um erro… Se tiver dúvida quanto a subida, já contrate a mula para a volta, você pagará cerca de 10 soles.

Quer dicas mais tranquilas sobre o que fazer em Arequipa? Veja esse post aqui.

About the author

Viciada em viajar, mas que sossegou - só um pouco - no Chile pra abrir um hostel. Já esteve em 9 países e 90 cidades fora do Brasil. Não sabe nadar (mas sabe andar de bicicleta). É facilmente comprável com doces e bom café. E é mão de vaca (isso é um dado importante).

19 Comments

  1. Rafael Leick
    26 de fevereiro de 2016 at 21:44
    Reply

    Eita nós… Eu fiquei meio tenso agora com o meu estômago como está hehehe Tenho problema no joelho, mas ele guentou bem as últimas coisas que eu fiz.
    Como vou pra Salkantay, acho que seria legal pra me preparar.
    Tragicomédia total hein? rs
    bjs

    • Camila Lisboa
      27 de fevereiro de 2016 at 11:03

      A gente se ferra mas se diverte! 🙂 Cuidado com a descida e have fun!

    • Daiani Moraes Oliveira
      7 de abril de 2016 at 10:46

      Oi Rafael Leick!! Quero fazer Salkantay em outubro, você já fez? Planeja ir com guia? Se puder me enviar detalhes agradeço!! Meu e-mail é oliveiradai2@hotmail.com.
      Valeu!!

    • Camila Lisboa
      7 de abril de 2016 at 12:41

      Oi Daiani! Lá no Viagem Primata já tem relato da Trilha Inca (que foi a que o Rafa acabou fazendo!), mas ele consegue te dar mais detalhes 😉

    • Rafael Leick
      7 de abril de 2016 at 17:25

      Oi, Daiani.
      Realmente acabei fazendo a Trilha Inca e não a Salkantay, mas pra qualquer uma das duas, até onde eu saiba, é necessário fazer com guia. Não rola fazer independente, não.
      A Salkantay, pelo que me consta é mais barata e tem um dia a mais. A Trilha Inca clássica mais cara com 4 dias e 3 noites.
      Se quiser ver mais da Trilha Inca, como a Camila falou, tem as infos lá no meu blog procurando pela tag: http://viagemprimata.com.br/tag/trilha-inca/
      E os relatos começam nesse dia aqui:
      http://viagemprimata.com.br/mochilao-no-peru-dia-25-diario-de-bordo/
      Te mando mais links por e-mail pra não ficar vários na caixa de comentários dos amiguinhos, ok? 😛
      Beijos e esperto ter ajudado.

  2. Milena Marcolino
    21 de agosto de 2016 at 18:07
    Reply

    Camila, muito obrigada pelas dicas!!! Você lembra com qual agência você foi? Contratou lá mesmo?

    • Camila Lisboa
      29 de agosto de 2016 at 10:30

      Contratei lá e juro que não lembro o nome… não anotei =/ mas olha, as coisas no Peru são mais ou menos iguais… você vai por preço e o serviço é proporcional ao que você paga (e no fim, acaba juntando todas as agências com a mesma faixa de preço na mesma van e no mesmo tour… rs).

      Não se preocupa em fechar antes não, chegando em Arequipa pesquisa e escolhe a agência que te convencer mais 😉

  3. Juliana Moreti
    16 de outubro de 2016 at 13:11
    Reply

    Esse foi um dos locais mais lindos que visitei! Mas faltou cores nessas tuas fotos! O local é de um azul brilhante incrível!
    rs

    • Camila Lisboa
      17 de outubro de 2016 at 21:54

      A dor tirou as cores do Colca pra mim =P

  4. Wallace
    3 de fevereiro de 2017 at 22:21
    Reply

    Morri de rir com a geléia de morango. Não aguentava mais tb. A subida pra mim foi cruel. Minhas pernas ficaram podres. E depois fiz Salkantay super tranquilo. O esforço da subida do cânion é mil vezes pior

    • Camila Lisboa
      13 de fevereiro de 2017 at 12:19

      É MUITO pior =/ Subida do demo =/

      Algum dia volto pra revanche 🙂

  5. Camila Faria
    18 de abril de 2017 at 19:52
    Reply

    Nem Morta que encaro essa km em 2 dias. Eu até vou, mas não sei andar correndo em campo. Que M o seu joelho e imagino a cena. Planeja fazer Outra? Rs

    • Camila Lisboa
      21 de abril de 2017 at 19:06

      Uma revanche! 🙂 Sim, tá na minha lista! (sem choro e sem mula dessa vez!)

  6. Joice
    18 de julho de 2017 at 20:25
    Reply

    Camila, estou me programando para ir ao Peru em Setembro, e sua página tem sido muito inspiradora pra mim! Obrigada pelas dicas. Menina, me identifiquei muito com seu relato, também tenho um “pobreminha” (rsrs) nos joelhos e confesso que estou em dúvida se faço a trilha ou não. Passar por esse perrengue é realmente um terror! Mas a vontade de conhecer o cañon é tão grandeee! hahaha. Que os deuses incas me ajudem a decidir! =P

    • Camila Lisboa
      27 de julho de 2017 at 18:07

      Menina, pior dos casos sobe de mula! Rs… Pode ir, mas presta atencao na dwscida que é a pior parte pros joelhos!

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